BONS VENTOS SOPRAM SOBRE AS ÁGUAS DO MAR DE MINAS

Antonio Carlos Mendonça Nunes

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 Vivemos momento especial e impar da sociedade brasileira, aflorada com o engajamento da população na defesa de suas bandeiras e cada vez mais abraçadas por seus representantes eleitos, a cidadania renasce das cinzas. Reforçando minha percepção, será realizado em 07 de outubro de 2019, evento promovido pela Associação dos Municípios do Lago de Furnas – ALAGO intitulado “Mobilização em Defesa do Lago de Furnas” quando haverá o lançamento da Frente Parlamentar Itamar Franco. Entre os assuntos relevantes, será tratado o estabelecimento de uma cota mínima para as águas do nosso Mar de Minas. É oportuno lembrar que em um primeiro momento, a formação do nosso Mar de Minas, provocou desagrado e insatisfação nas comunidades alcançadas por este novo meio aquaviário. Com reflexos na fauna e na flora, no meio ambiente nativo, nas atividades econômicas e na vida dos seus habitantes, ao longo dos 34 municípios em sua orla. A questão que me parece é que as perdas sofridas e como foram recebidas, afastou a percepção da necessidade de adaptação ao novo cenário e a identificação do surgimento de novas oportunidades, que não faziam parte do universo regional. Em um primeiro momento, o que se pôde constatar é que a grande maioria das populações e do poder público nos municípios, ficou de costas para o Lago inerte diante do novo horizonte.

Estruturalmente quem saiu à frente e provoca reflexões e mudanças em vários o empreendimentos é o Complexo Escarpas do Lago, no município de Capitólio, não há como negar. Se considerarmos uma linha do tempo como observador, verifico em iniciativas individuais uma verdadeira revolução na percepção das oportunidades surgidas com a formação do Mar de Minas. Neste novo ambiente, diversos elementos da cadeia produtiva do turismo náutico podem ser identificados, novos empreendimentos surgem e os atrativos naturais ou não, como magia, se superpõem e conduzem ao intangível das pessoas transportando-as ao litoral. Com a criação e ações da Frente Parlamentar Itamar Franco, concomitantemente a sociedade civil, através da comunidade náutica, como um braço técnico, deveria estrutura-se através de uma Entidade Náutica. Entidade representativa dos atores da cadeia produtiva do turismo náutico, por trazer em sua constituição os elementos que integrados conhecem os problemas e buscam as soluções mais adequadas às diversas equações. Deixemos de ver nosso Mar de Minas como problema, como perda e vejamo-lo como a solução, como divisor de águas para o desenvolvimento econômico e social, na geração de emprego e renda, em novos empreendimentos e aprimoramento dos existentes e na arrecadação dos impostos para os municípios. Nossa vocação regional é náutica, eu acredito. * Ex-Professor Universitário, Engenheiro Civil, Conselheiro e Diretor de Administração da Liga da Reserva Naval do Brasil – LRNB e Consultor Náutico.