Cota mínima de 762 metros para Furnas é defendida em reunião

Lideranças do Lago de Furnas participaram da audiência na ALMG - Foto: Sarah Torres

A cota de 762 metros como nível mínimo do Lago de Furnas, que abrange 34 municípios do Sul e do Centro-Oeste mineiros, foi a grande reivindicação apresentada durante reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Nesta segunda-feira (9/3/20), as Comissões Extraordinária de Turismo e Gastronomia e de Minas e Energia realizaram audiência conjunta para tratar de medidas para reverter o baixo nível do chamado “Mar de Minas”. Mesmo após o extenso período de chuvas, o nível da barragem não atingiu o ideal, o que tem provocado impacto no turismo regional, especialmente o náutico.

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Um dos defensores dessaa cota mínima foi o promotor de Justiça Mário Antônio Conceição, secretário das Promotorias da Comarca de Varginha (Sul de Minas). Segundo ele, a Lei Federal 9.433, de 1997, que cria a Política Nacional de Recursos Hidricos, prevê usos múltiplos da água, e as prioridades desse uso, considerando seu valor econômico, sua finitude e a participação popular na gestão.

Cresce mobilização por cota mínima pelo Lago de Furnas
 

Pessoas, das quais 26 mil tiveram suas terras tomadas pela água”, lembrou.

Náutica - Antonio Carlos Nunes, responsável pelo Clube Náutico em Fama (Sul de Minas), avalia que, passados 60 anos da criação de Furnas, a solução é transformá-lo efetivamente no “Mar de Minas”. Isso só acontecerá, no seu entender, com a participação dos municípios banhados na implantação de um projeto de turismo náutico.

Um passo fundamental para isso seria a criação da carta naútica do Lago de Furnas. “São 15 bilhões de metros cúbicos de água e 3,5 mil km de perímetro no lago, com grandes possibilidades para o turismo, especialmente o náutico”, reforçou.

Antonio Nunes defendeu ainda o incremento da economia náutica, de forma que se desenvolva toda uma cadeia de produtos e serviços no ramo. “É preciso o emprego de embarcações náuticas, regulamentadas pela Marinha, as quais necessitam de marinas, rampas, píeres, pontos de ancoragem seguros. E também hidrovias e aquavias, com sinalização completa”, salientou.

Complementando, Anderson Ribeiro, assessor jurídico da Capitania Fluvial de Minas Gerais, afirmou que, para a criação da carta náutica de Furnas pela Marinha, é preciso que o lago esteja no nível mais alto possível. “Níveis baixos são piores para a navegação, pois árvores, pedras e bancos de areia se tornam perigosos para as embarcações”, destacou. 

Furnas defende consenso para atender interesse de Minas

Djair Roberto Fernandes, diretor de Operação e Manutenção da Furnas Centrais Elétricas, disse que a empresa nasceu do sonho do presidente Juscelino Kubitschek de trazer industrialização para o Brasil. Ele enfatizou que Furnas é uma concessionária do governo federal, obrigada a seguir o contrato assinado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 Fonte: Assembleia Legislativa de Minas Gerais