Discurso de seca, contrasta com lucros do setor elétrico, diz MAB.

O discurso de seca na região Sudeste do Brasil tem sido usado para justificar o recente aumento da conta de luz e, ao mesmo tempo, para favorecer o lucro dos empresários do setor.

A afirmação é do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que também aponta o esvaziamento proposital dos reservatórios em plena pandemia. Em artigo, a entidade diz que “o esvaziamento dos reservatórios das usinas foi provocado principalmente durante o ano de 2020, em plena pandemia, quando ocorreu uma queda média de 10% no consumo nacional de eletricidade desde o início do Covid-19 em nosso território. Os reservatórios foram esvaziados sem que houvesse necessidade de atender a um aumento na demanda, uma vez que ela diminuiu”.

Desta forma, a operação em diversas usinas hidrelétricas foi realizada com interesse em gerar escassez – e, assim, aumentar as tarifas cobradas. “Toda essa água vertida poderia ter sido armazenada ou transformada em energia, sem aumento dos custos. Mas não foi o que aconteceu. Os donos das hidrelétricas não perderam dinheiro com isso, pois o chamado déficit hídrico é cobrado integralmente nas contas de luz da população”.

“Os dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) revelam que o volume de água que entrou nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras durante o último ano é o quarto melhor ano da última década, equivalente a 51.550 MW médios”, diz a entidade.

“No entanto, o volume de energia produzida por hidrelétricas ficou em 47.300 MW médios, ou seja, 4.250 MW médios abaixo da quantidade de água que entrou nos reservatórios no mesmo período, o equivalente a uma usina de Belo Monte”, pontua o movimento, ressaltando que “entrou mais água nos reservatórios (energia natural afluente) do que saiu pelas turbinas para gerar energia (vazão turbinada)”.

O MAB ressalta que o esvaziamento dos reservatórios também permite ao governo federal autorizar o funcionamento de todas as usinas termelétricas (a gás, petróleo, carvão, bagaço-de-cana, etc), inclusive as mais caras – “e sabemos que, em geral, os donos das hidrelétricas também são donos das termelétricas”, diz o movimento.

Fonte: Site jornalggn.com.br